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COMPLETANDO UM ANO DA MAIOR GREVE DA EDUCAÇÃO NO ESTADO DO AMAZONAS.

COMPLETANDO UM ANO DA MAIOR GREVE DA EDUCAÇÃO NO ESTADO DO AMAZONAS.

CAPÍTULO II – DA DEFLAGRAÇÃO À INSTALAÇÃO DA GREVE

Tarde do dia 16/03/2018, Praça da Polícia.
Neste dia em que o Sol brilhou com muita intensidade, a Categoria da Educação amanheceu com sentimento de altivez, e aproximando-se das 15:00h, foi chegando na Praça da Polícia com muita atitude, para participar da ASSEMBLEIA GERAL convocada pelo SINDICATO DOS PROFESSORES E PEDAGOGOS DO MUNICÍPIO DE MANAUS – ASPROM/SINDICAL para deliberar sobre a Deflagração da Greve. Os professores, pedagogos e administrativos chegavam por todos os lados, em poucos minutos eram centenas e milhares, felizes por presenciarem que a tão sonhada união da categoria estava se concretizando, nos muitos apertos de mãos, abraços e satisfação de reverem-se, uns aos outros, novamente nas ruas à ponto de deflagarem uma greve diante da intransigência de um governador que não se dignava a respeitar a categoria e a conceder um reajuste de 35% que era reivindicado.
Ao iniciar a Assembleia Geral, os assessores jurídicos do ASPROM/SINDICAL fizeram uma explanação sobre a questão da importância da deflagração da greve pela categoria com o apoio do ASPROM/SINDICAL, explicaram que a responsabilidade de deflagração de greve não é direção de sindicato e sim da categoria, e que o sindicato serve para apoiar a decisão e que deve buscar de maneira comprometida e consistente o êxito da greve.
Neste dia, mais uma vez, o ASPROM/SINDICAL alertou que o Governador Amazonino Mendes estaria articulando no sentido de levar a Data-base até a data limite em que ele seria impedido pela Lei Eleitoral de conceder o reajuste solicitado e que estaria negociando o reajuste da categoria com o outro sindicato, conforme anunciado pela imprensa e pelo próprio sindicato (Sinteam), e que diante desta situação a categoria deveria estar de prontidão para não ser surpreendida por um novo golpe, como acontecido em 2005.
A partir daí houve votação de duas propostas:
Proposta 1 – não deflagração da greve.
Proposta 2 – deflagração da greve.
Por unanimidade a proposta 2 – DEFLAGRAÇÃO DE GREVE foi aceita.
Foi emocionante o que se viu. A categoria da Educação, cerca de 5 a 6 mil pessoas, da Capital e do Interior, pois representantes dos municípios estavam na Praça, gritando em alto e bom som: GREVE, GREVE, GREVE. A CULPA É DO GOVERNADOR. As vozes ecoavam por toda a Praça, por todo o Centro da Cidade. Toda a Imprensa veiculou a decisão da categoria.
A partir daí, os Comandos de Greve se formaram, novas lideranças surgiram, os comandantes de greve, professoras e professores, cheios de determinação e coragem, era preciso trabalhar para que todas as escolas aderissem à greve até o dia da sua instalação oficial. Finalizando a Assembleia houve uma caminhada pelo entorno da Praça da Polícia e a categoria foi para casa com o sentimento de dever cumprido, de alma lavada pela decisão que foi tomada.
No dia 19/03/2018, segunda-feira, o Governador Amazonino Mendes e o Secretário de Educação Lourenço Braga, foram mais uma vez notificados pelo ASPROM/SINDICAL à respeito da DEFLAGRAÇÃO DE GREVE pela categoria e que a instalação da greve se daria em 72 horas caso o governador não recebesse a Comissão dos Comandos de Greve e os representantes do ASPROM/SINDICAL, esta reivindicação era da própria categoria que desejava ver o ASPROM/SINDICAL na mesa de negociação, pois entendia que só assim seria garantida a busca dos 35% de reajuste.
Nos dias que antecederam à instalação da greve, os Comandos de Greve visitaram as escolas para conversarem com os professores sobre a necessidade de todos aderirem à greve, e por toda a Cidade e Interior cresciam as manifestações espontâneas de apoio à greve.
No dia 22/03/2018, em plena Avenida Brasil, em frente à Sede do governo sob um sol amazônico escaldante, mais de 10 mil professores, pedagogos e servidores administrativos da Capital e do Interior, fizeram a Instalação Oficial da Greve. A emoção de todos foi maior ainda, nunca se tinha visto tanta revolta e indignação da categoria por não ser atendida, em suas reivindicações, por um governante que desprezou de maneira impiedosa a Educação.
Vale ressaltar que na instalação da greve houve, inclusive, Intérprete de LIBRAS, pronunciamentos variados, poemas, poesias, canções, paródias, etc.
A categoria permanecia unida e determinada.
A greve estava instalada.

O outro sindicato se pronunciou: “Vamos tomar a greve. A greve vem para nossas mãos”.
Neste mesmo dia a categoria temeu, a notícia de que o outro sindicato faria uma Assembleia pela parte da tarde para também deliberar sobre Greve e que os gestores e demais servidores que trabalham nas coordenadorias educacionais teriam sido convocados a participarem desta assembleia, e numa atitude apreensiva a categoria foi acompanhar a assembleia para assegurar que este sindicato (sinteam) também deliberasse pela Greve.
Vale lembrar que enquanto na manhã do dia 22/03/2018 o ASPROM SINDICAL instalava a greve, o outro sindicato ainda estava na fase de deliberar a greve, que já tinha sido deliberada pela categoria junto com o ASPROM SINDICAL na Praça da Polícia no dia 16/03/2018.

A greve do sinteam iria acontecer de qualquer jeito, pois só assim, o governador poderia continuar com seu propósito de levar a Data-base até a data limite em que seria impedido pela legislação eleitoral de conceder o reajuste à categoria. A greve do outro sindicato era inevitável de acontecer, pois fazia parte do plano do governador, assim ele poderia continuar dizendo: Só negocio com Sinteam. Assim, respaldado e justificado pela fala de que só negociaria com o sinteam, o governador Amazonino Mendes poderia continuar negando os 35% de reajuste.

🙋🏿‍♀Por Helma Sampaio 🌷

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